O que é uma incubadora?
As incubadoras são mecanismos utilizados para promover e estimular a criação de micro e pequenas empresas. Contribuem para o desenvolvimento sócio econômico, na medida em que são potencialmente capazes de induzir o surgimento de unidades produtivas.

As micro e pequenas empresas que surgem no mercado sem contar com o apoio das incubadoras têm menores chances de incorporar inovações em seus processos de produção ou de prestação de serviços. Os micro e pequenos empresários, de modo geral, têm seu tempo consumido pelo trabalho cotidiano e rotineiro, enfrentam dificuldades financeiras, contam com um quadro de recursos humanos diminuto, muitas vezes recrutado na própria família, quase sempre sem especialização e capacitação para incorporar inovações à empresa. Comparado a essa situação, o ambiente de uma incubadora é um habitat mais que desejável para as empresas nascentes, considerando que, além do apoio técnico e econômico, há sinergia criada pela concentração de empreendedores que têm como meta o sucesso empresarial.

Estatísticas de incubadoras americanas e européias indicam que a taxa de mortalidade entre empresas que passam pelo processo de incubação é reduzida a 20%, contra 70% detectado entre empresas nascidas fora do ambiente de incubadora. No Brasil, estimativas já apontam que a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas que passam pelas incubadoras também fica reduzida a níveis comparáveis aos europeus e americanos. Para as nascidas fora do ambiente de incubadora, o SEBRAE aponta uma taxa de mortalidade de 80% antes de completarem o primeiro ano de funcionamento.

Se incluem no quadro de entraves ao surgimento de novas empresas, a capacidade gerencial dos empresários e o difícil acesso a tecnologias para a inovação em produtos e em processos de produção. As incubadoras de empresas contribuem para a solução dessas dificuldades.

As incubadoras também podem minimizar os efeitos nocivos de outros problemas, e certamente maximizam a utilização dos recursos humanos, financeiros e materiais de que dispõem os micro e pequenos empresários, contribuindo para a sobrevivência das empresas que passam pelo processo de incubação. Além disso, estimulam o empreendedorismo e divulgam a possibilidade de se criar um negócio próprio, com chances reais de êxito, e como opção à busca de empregos.

Para uma cidade ou região, os benefícios decorrentes da instalação de uma incubadora são muitos. Ocorre a mobilização e a coordenação de recursos locais já disponíveis e o surgimento de novos negócios. Quanto ao aumento do número de postos de trabalho, ainda que empresas intensivas em tecnologia absorvam pequenos contingentes de mão-de-obra, a longo prazo, caso sejam bem sucedidas, acabam por gerar empregos diretos e indiretos.

Também a longo prazo será observado um aumento gradual na arrecadação local de impostos, na medida em que as empresas se consolidarem e deixarem a incubadora, graduando-se, e passando a participar agressivamente no mercado. Além disso, pequenas indústrias regionais em declínio, mas que apresentem algum potencial de recuperação, poderão ser revitalizadas e aumentar a chance de se manterem competitivas se suas empresas tiverem a oportunidade de se instalar em uma incubadora.

Dados do SEBRAE mostram que as micro, pequenas e médias empresas constituem cerca de 98% das empresas existentes, empregam 60% da população economicamente ativa e geram 42 % da renda produzida no setor industrial, contribuindo com 21 % do Produto Interno Bruto.

ORIGENS E SITUAÇÃO ATUAL

O fato que gerou a concepção de incubadoras de empresas foi o êxito que obteve a região hoje conhecida como Vale do Silício, na Califómia, a partir das iniciativas da Universidade de Stanford, que na década de 50 já criava um Parque Industrial e, posteriormente, um Parque Tecnológico (Standford Research Park), com objetivo de promover a transferência da tecnologia desenvolvida na Universidade às empresas e a criação de novas empresas intensivas em tecnologia, sobretudo do setor eletrônico. O êxito obtido com essa experiência estimulou a reprodução de iniciativas semelhantes em outras localidades, dentro e fora dos Estados Unidos.

É interessante saber que, em 1937, mesmo antes da instalação do Parque, a Universidade apoiou os fundadores da Hewlett Packard, que eram alunos recém graduados. Receberam auxílio para abrir uma empresa de equipamento eletrônico, receberam bolsas e tiveram acesso ao laboratório de rádio comunicações da Universidade.

NA EUROPA

Na Europa, as incubadoras surgiram inicialmente na Inglaterra, a partir do fechamento de uma subsidiária da British Steel Corporation, que estimulou a criação de pequenas empresas em áreas relacionadas com a produção do aço, preconizando uma terceirização, e também em decorrência do reaproveitamento de prédios sub-utilizados.

A estrutura que as incubadoras apresentam atualmente, no entanto, configurou-se na década de 70, nos Estados Unidos. A partir do final da década de 70 e no início dos anos 80, nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, governos locais, universidades e instituições financeiras se reuniram para alavancar o processo de industrialização de regiões pouco desenvolvidas ou em fase de declínio, decorrente da recessão dos anos 70 e 80.

A motivação era de natureza econômica e social, visando a criação de postos de trabalho, geração de renda e de desenvolvimento econômico. Foram concebidas, portanto, dentro de um contexto de políticas governamentais que tinham o objetivo de promover o desenvolvimento regional. Assim, além de focalizarem setores de alta tecnologia, privilegiaram também setores tradicionais da economia, não intensivos em conhecimento, com o objetivo de aprimorar processos de produção e de inovar produtos.

A criação de incubadoras vinculadas a universidades e/ou dentro de parques tecnológicos foi, assim, acompanhada do surgimento de incubadoras sem ligações formais com instituições de ensino e pesquisa. Atualmente, o Japão também passou a utilizar incubadoras de empresas, assim como muitos países em desenvolvimento, a exemplo da China, Índia, México, Argentina. Turquia e Polônia, entre outros.

BRASIL

No Brasil, a primeira incubadora foi instalada em 1985, na cidade de São Carlos, com o apoio do CNPQ. A seguir, Florianópolis, Curitiba, Campina Grande e Distrito Federal também estabeleceram incubadoras. Em 1987 foi criada a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas - ANPROTEC que iniciou a articulação do movimento de criação de incubadoras de empresas no Brasil, afiliando incubadoras de empresas ou suas instituições gestoras.

Há, atualmente, segundo essa Associação:

  • Cerca de 250 Incubadoras;
  • Aproximadamente 1800 empresas incubadas;
  • Cerca de 450 empresas que cumpriram com sucesso o período de incubação;
  • Cada uma dessas empresas gera em média 03 empregos;
  • Cada empresa coloca em média 03 produtos, processos ou serviços no mercado.
  • Os dados sobre incubadoras nos Estados Unidos, onde existem há muito mais tempo, indicam Cerca de 600 incubadoras que abrigam aproximadamente 11.500 empresas.
  • No Brasil, a exemplo do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos, coexistem incubadoras Exclusivamente de base tecnológica, incubadoras tradicionais e incubadoras mistas.

    OBJETIVOS DAS INCUBADORAS
    O objetivo geral das incubadoras é acelerar o processo de criação de micro e pequenas empresas aumentando suas chances de sobrevivência.
    Os objetivos específicos, que devem estão alinhados com as expectativas regionais e locais, incluem :

  • Reforçar o espírito empreendedor;
  • Capacitar os empresários;
  • Estimular a associação entre as universidade e as empresas;
  • Estimular a parceria entre as empresas;
  • Apoiar a geração de empregos e de renda;
  • Apoiar a introdução de novos produtos, processos e serviços no mercado;
  • Facilitar o acesso a tecnologias;
  • Apoiar projetos de revitalização de empresas;
  • Consolidar micro e pequenas empresas que apresentem potencial de crescimento;
  • Reduzir a taxa de mortalidade de novas micro e pequenas empresas.
  • Para tanto, contam com um espaço físico especialmente construído ou adaptado para alojar temporariamente micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços e, necessariamente, dispõe de uma série de serviços e facilidades descritos a seguir:
  • Espaço físico individualizado, para a instalação de cada empresa admitida;
  • Espaço físico para uso compartilhado, tais como sala de reunião, auditórios, área para demonstração dos produtos, processos e serviços das empresas incubadas, secretaria, serviços administrativos e instalações laboratoriais;
  • Recursos humanos e serviços especializados que auxiliem as empresas incubadas em suas atividades, quais sejam, gestão empresarial, gestão da inovação tecnológica, comercialização de produtos e serviços no mercado doméstico e externo, contabilidade, marketing, assistência jurídica, captação de recursos, contratos com financiadores, engenharia de produção e Propriedade Intelectual, entre outros;
  • Capacitação/Formação/Treinamento de empresários nos principais aspectos gerenciais.
  • Acesso a laboratórios e bibliotecas de universidades e instituições que desenvolvam atividades tecnológicas.

    TIPOS DE INCUBADORAS
    As incubadoras podem ser de três tipos, dependendo do tipo de empreendimento que abrigam:

  • Incubadora de empresas de base tecnológica
    É a incubadora que abriga empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resultados de pesquisas aplicadas, nos quais a tecnologia representa alto valor agregado.
  • Incubadora de empresas dos setores tradicionais
    É a incubadora que abriga empresas ligadas aos setores tradicionais da economia, as quais detém tecnologia largamente difundida, e queiram agregar valor aos seus produtos, processo ou serviços por meio de um incremento em seu nível tecnológico. Devem estar comprometidas com a absorção ou o desenvolvimento de novas tecnologias.
  • Incubadora mista
    É a incubadora que abriga empresas dos dois tipos acima descritos.